minha vida, meu livro
 


6.

Antes de voltar ao assunto principal que me move, o sexo e a homossexualidade, para entender um pouco mais de minha personalidade:

IV – Cargo Público:

Em janeiro de um ano qualquer recebi, em meu escritório, a visita do novo prefeito da cidade. Lá chegou no dia oito ou nove, acompanhado de um assessor. Aposentado, casado, com filhos, homem rico, decidido, acostumado a mandar.

Convidava-me para a assessoria jurídica do município, com salário razoável e horário flexível, que tornei rígido. Indaguei-lhe o motivo do convite ao que respondeu, de pronto, que havia indicação de meu nome por dois juízes.

 

Esta forma de escolha, confesso, causou-me espanto e foi decisiva para a aceitação do convite. No outro dia, já com o ato de nomeação, tomava posse no cargo e levava, para sala da prefeitura que me era destinada, fotografia da pequena sobrinha querida e filha que jamais terei. Tempos após, não imaginava isso, aquela sala teria a fotografia de Marcos, meu atual namorado, ao lado da de minha sobrinha, para que todos que quisessem pudessem ver, porém, sem discutir. Respeito é bom e eu gosto.

Permaneci por dois anos e meio no cargo para dali sair, a pedido meu, diante das agruras da vida pública.

Retornaria, depois da reeleição do prefeito, três anos depois, após vários e insistentes convites, inclusive quase sobrando a remuneração.

 

A assessoria jurídica de um município pequeno dá-me a idéia melancólica do que é a vida pública neste infeliz país. Enfrentei dificuldades, superei barreiras, tive gostos e desgostos. Ora havia o combate meu com os adversários políticos medíocres e mediocrizados, ora um certo embate com o próprio mandatário, meu patrão, vezes em conta seduzido pelas ilusões do poder e pelos elogios dos incautos que somente sabem viver, no dizer do Collor, à sombra do poder, ainda que seja um poderzinho provinciano e paroquial.

 

A vida pública, ocupando este cargo, vejo agora, realçou, ressaltou e reformou minha personalidade. Creio que não desviei, milímetro sequer, de minhas convicções, apesar das fressões sofridas.

 

Ali tudo é estranho. A começar pelo povo, que apresenta pouco civismo e muito cinismo, o desalentado é total !

 

O dinheiro maltrata, espezinha e, para Albert Einsten, degrada, sem piedade, o ser humano.

 

Ali, percebemos isso de perto, bem de perto.

 

A oposição, que deveria utilizar-se da democracia para o bem comum, dela utiliza-se com o intuito nítido, pequeno e mesquinho de tentar recuperar, à custa de injúrias, calúnias e malediências, as perdidas rédeas de um poderzinho mequetrefe.

 

Muito embora não concorde, estranhe e lamente, entendo hoje, perfeitamente, a atitude do Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, quatro dias antes de deixar definitivamente o poder, baixando decreto para submeter ao sigilo absoluto, por cinquenta anos, documentos oficiais especiais.

 

Curioso, nesta história, é que referido decreto teria vacatio legis no período da transição, tendo sido, de bom grado, adotado pelo sucessor que hoje comanda a Nação e com uma certa dose de timidez somente hoje dá os primeiros passos para a abertura. Talvez será lenta e gradual...rsrsrsrs....!

 

Se na mais alta esfera do poder executivo isto ocorre, deve ser porque existem fatos, mesmo, que, curiosamente, a administração pública não pode tornar públicos.

 

Que Deus livre-me da tentação de buscar segurança em cargo público executivo comissionado, apesar de alguns convites, que começam a rondar-me, pois, modéstia às favas, este tempo todo nao ocupei cargo de confiança, mas de competência. Alguns entendem isso e aí mora o perigo... nao quero mais.



 Escrito por thiago às 10h22
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5

Após a primeira paixão por Edson, descoberta e reprimida por mim, depois do rapaz com quem mantive um relacionamento por longos oito anos e vivida a experiência do anjo louro, continuei minha vida.

 

Volto, porém, um pouco no tempo, talvez para tentar entender o fenômeno da homosssexualidade em minha história.

 

Criança, residia em uma fazenda, com pais e irmã.

 

Creio ter vivido uma experiência interessante com relação à figura paterna, talvez ambígua. A presença de meu pai sempre se fez nítida em minha vida, como o provedor da família e a pessoa em quem, de alguma maneira, se poderia confiar. Mas faltou, sempre, o companheirismo e a orientação para as experiências da vida. Parece-me, até, que faltava e continua faltando, ali, autoridade.

Por outro lado, sempre acompanhei, de perto, a trajetória da vida de dois tios paternos, sócios de meu pai e com os quais, mais tarde, iria eu defrontar-me para a dissolução de uma sociedade, terminando os negócios familiares.

Estes tios, ao contrário de meu pai, parece que dominavam e controlavam tudo, em suas atividades, em seus lares, com seus empregados, com seus filhos.

Um deles, com uma vida sofrida, sempre apresentava o ar sereno e o semblante altivo. Passava uma segurança imensa e intensa. Perto dele, parece que nada de ruim poderia ocorrer a quem estivesse ao seu redor. Lembro-me, pequeno ainda, presenciando-o ao volante de nosso carro, em estrada lamacenta e difícil de ser atravessada, o que fez com galhardia, sorrindo e rindo, dominando, assim, até a própria natureza. Senti, naquele dia, uma ponta de orgulho.

O outro, com problemas sérios no casamento, sempre foi o pai e a mãe de seus filhos. Muito interessante este. Esbravejava sempre, por tudo, com tudo. Quando não xingava a esposa, falava do governo. Quando não era o governo, era o tempo, tão imprescindível aos que lidam com a agricultura. E quanto mais bravo ficava, mais engraçado era. Este tio fazia em mim uma certa fascinação. Tentei, criança ainda, aproximar-me dele por várias vezes, alcançar sua atenção, seu carinho. Os esforços eram em vão, inúteis. Dedicava-se ele aos seus filhos com amor paternal extremado e estendia essa atitude para com outro sobrinho dele, nunca para comigo e também não entendia a razão daquilo. Era frustrante.

Com os dois tios, houve o embate. Universitário e conhecendo as vantagens e desvantagens de uma sociedade comercial de meu pai com eles, peitei-os e desfiz aquele empreendimento.

 

Para isso, claro que contei com a apatia de meu pai.

 

Interessante que o encontro e a atenção que sempre busquei no tio, quando criança, acabei por ter, quando ele, já doente terminal, acometido pelo câncer, passou a procurar-me com insistência, ora para regularizar toda sua documentação e para isso servindo de meus conhecimentos na advocacia, ora para falar sobre direito, matéria que, apesar de não ter estudado, dominava bastante.

 

Aquela minha busca, de criança, tantas vezes esforçada, nos fins de seu tempo, eu alcancei. Conversamos muito. Várias vezes. De forma amistosa e familiar. E agora, sempre, a convite dele.

 

Isso ocorreu até que ao pleno meio dia de setembro, na rua, tomei conhecimento de que não estava mais entre nós e partira definitivamente deste mundo.

 



 Escrito por thiago às 20h19
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4 – quem tiver paciência, é só ler do fim ao início, em ordem inversa, seguindo a numeração...

 

Em virtude dos encontros e desencontros com o rapaz, como disse, fui procurar ares novos.

E, assim, cheguei ao noivado. Dava-me muito bem, sexualmente, com a moça.

Dez meses foram suficientes para conhecê-la, namorar, noivar e romper.

Neste período não houve encontro algum com o rapaz, ou nenhum outro. Aliás, do que orgulho-me, sempre que em atividade sexual com rapazes, jamais traí as duas únicas "namoradas" que tive, delas afastando-me com rapidez.

Fui levando a vida com a moça, que aceitou o noivado com espantosa e galopante decisão, quando, em um jantar qualquer, em um dia qualquer, num rompante que até hoje nao entendo bem, fiz-lhe o pedido.

Neste período, fui morar só, em cidade vizinha a minha. De vez em quando lá ia ela dormir comigo. Nao que eu desejasse uma empregada, mas o fato de que nao estendia a cama em que dormia, muito menos lavasse a xícara que usava, trazia, em mim, uma certa irritação, nestas ocasiões.

Mas, na cama, como dito, nos dávamos bem.

Assim, com este noivado, o desejo real era reprimido.

IV – A VERDADE VOLTA. E FORTE. O ANJO LOURO:

Os desejos verdadeiros, segundo psicanalista famoso, são temporariamente relegados, suspensos, reprimidos, jamais apagados da memória contida no disco rígido existente no recôndito de nosso cérebro.

Voltaram, assim, com intensidade maior ainda, quando na faculdade de psicologia conheci um anjo louro, de olhos esverdeados, fala macia e comportamento envolvente.

Viria dominar-me quase totalmente por cerca de um ano.

Já no segundo encontro notei que no lugar de seu coração existia, nele, uma carteira.

Ainda assim mantive o relacionamento, na esperança vã e inútil de que mudaria e que encontraria em Renato (nome fictício novamente) algo humano, bom, sensível, que o faria demonstrar por mim, senão amor ou carinho, pelo menos amizade e respeito .

Nunca encontrei nada disso.

De bom esse menino me trouxe três coisas, todas elas sem que fosse sua intenção.

Livrou-me do casamento iminente; provocou, de certa maneira, a revelação que fiz de minha vida a um primo, que recebeu bem a notícia; tornou mais sintomática a minha natureza entre os que comigo conviviam dentro de casa, mãe e irmã, eis que meu pai, como sempre, alheio a tudo, quase um autista.

Fui, com ele, em meu limite bem controlado, em termos financeiros e presentes solicitados.

Serviu-me, entre o primeiro e segundo encontro, para terminar meu noivado. Além disso, apenas a constatação de que o anjo louro na verdade de anjo nada possuía.



 Escrito por thiago às 22h43
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3

 

Iniciaram-se meus conflitos. O que fazer com o relacionamento com Simone? Aquilo não era justo, definitivamente, não era.

Por enquanto, com o rapaz, ficávamos nas preliminares. Mesmo assim, não encarava mais Simone e sua família com a facilidade com que fazia antes.

Das preliminares ao motel chegamos em um mês. O término com Simone, alcançava, então, o momento crucial e inevitável. Assim o fiz, imediatamente.

Com este rapaz, cujo nome verdadeiro aqui preservo, tive uma relação intensa, complicada.

Encontrávamo-nos sempre. Às escondidas.

Minha espera por ele era constante. Totalmente passivo na cama, absolutamente ativo no relacionamento pessoal.

Eis aqui uma ambigüidade gritante. Dominava-me nos encontros, marcando dias, horas, lugares e era completamente dominado na cama, por mim.

Claro que daí para a terapia de base analítica cognitiva foi um passo.

Conheci, assim, Dra. Alitta, mais tarde simplesmente Alitta.

 

III A Luta Continua :

 

Minha vida passou a ser, agora, o trabalho, a casa, o rapaz, a analista. Os encontros sempre esperados, nem sempre acontecidos.

A necessidade de falar com alguém sobre minhas emoções pessoais, a alegria que o rapaz me proporcionava, dividir com outra pessoa este sucesso, as coisas que dele ouvia, as lições que eu, advogado, recebia do inculto.

O rapaz tinha profissão modesta, pouca escolaridade e ainda assim dava-me lições de moral e de sabedoria. Era incrível.

De nossos encontros, voltava revigorado. Encontrava lições de vida e de viver que não achava nos livros.

Quem era o "doutor" ali ? Nunca soube, até hoje não sei.

O relacionamento, assim, era bom. Muito bom. Sexo gostoso. Ele, sempre, passivo.

Mas, vez por outra, me deixava. Fazia vínculos com mulheres e elas o veneravam. Brigavam por ele. Chegou a morar com uma delas, deixando-me sem vê-lo por longo tempo.

Assim, para sair de minha perplexidade, as sessões de terapia aumentavam.

Pior era a necessidade de falar com alguém sobre as tristezas que ele também me proporcionava. Discutir isso com quem? Entender o que se passava, sozinho, completamente só, era difícil.

A análise ajudava. Muito. Mas não resolvia.

A recomendação do "benefício da dúvida", conselho de minha analista a que eu proporcionasse à família e à sociedade acabava por toldar a minha liberdade.

 

Assim fui levando a vida. Dedicava-me com intensidade ao trabalho. Dia a dia vivia minha profissão. Não havia hora, nem lugar. Era uma fuga indiscutível. O que se chama, hoje eu sei, em psicologia, de sublimação.

Sublimava eu meus desejos físicos, deles esquecendo, com o trabalho.

Rompi a relação com o rapaz, ou ele rompeu comigo, não sei ao certo. Sequer se a relação fora, de fato, definitivamente rompida, eis que até hoje telefona-me e eu atendo, sempre. E oitos anos já se passaram.

De todo modo, busquei novos ares.

 



 Escrito por thiago às 04h36
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OBS: o texto começa logo abaixo, no título...comecem, pois, pelo final, hehehe...

 2

E o fato se deu quando eu "namorava" uma garota e frequentava sua casa.

Iniciei um namoro com Simone, motivado por sua singela e discreta beleza, bem como pela expressão meiga e inocente que ostentava.

Conheci-a em um encontro religioso. A conquista não foi tão fácil, no entanto, não reclamou grandes esforços.

A convivência, diuturna, fez nascer, de minha parte, especial carinho por ela, enquanto sentia – posso estar errado e convencido – da parte dela aumentar cada vez mais o sentimento que nutria por mim.

Levava, assim a vida. A convivência com os familiares de Simone era fantástica.

Foi um período bom.

O destino, sorrateiro, talvez cruel até, colocou em meu caminho, precisamente em uma esquina de rua entre minha casa e a casa dela, um rapaz diferente, que ali permanecia, por debaixo da luz de um poste, em horário pouco convencional, já noite a dentro.

Percebi isso pela terceira ou quarta vez que passei pelo local. Senti que em meus próximos encontros com Simone, em sua casa, no fundo eu pensava se estaria, novamente, naquela esquina, o tal rapaz. Sempre esteve.

Um dia, depois de passar por ele, resolvi voltar de inopino, após minha passagem. Constatei, então, que lá já não estava. Foi fácil a conclusão de que ali permanecia até que me visse por lá.

N´outro dia parei e trocamos duas ou três frases no máximo, quando dirigi-lhe pergunta qualquer. Poucas semanas depois encontro-o, inesperadamente, em uma das ruas da cidade. Aproximou-se de mim, convidei para ir a uma cidade próxima ver o movimento.

Deveria ser uma hora da manhã. Foi. Não falou nada sobre sexo. Nada perguntou. Nada respondi.

Ficou claro, porém, que me conhecia, sabendo meu nome, endereço e profissão. Foi estranho. Muito estranho. Aquilo mexeu comigo.

O tempo passou.

Um mês, dois. Não sei ao certo. O que sei é que em um final de tarde, eis que chega em minha casa o tal rapaz. Consulta profissional, local inadequado. Aproximação maior.

Fiz-lhe o convite para ir a fazenda dar um recado inexistente. Foi. Novamente não falou em sexo. Também nada disse. Pediu autorização, já na fazenda, para ficar sem camisa. Autorizei.

Aqui um branco envolve-me por relativo período. Somente sei que em novo encontro casual, novo convite para rápido passeio de carro, por ele prontamente aceito.

Falou-me, desta vez, com impressionante sutileza, sobre sexo. Fui mais fundo e de uma só vez perguntei-lhe se transaria comigo, já que não considerava eu normal aquele tipo de assunto entre nós.

De igual forma em que dirigi a pergunta, de uma só vez, também assim respondeu, dizendo com firmeza que transaria sim. Ficamos nisso. Mas combinamos novo encontro, na próxima semana, quando tudo, de fato começou.



 Escrito por thiago às 23h33
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1

A Melancolia de um Privilegiado

I – Introdução:

No ano de 1967 Emilio Garrastazu Médici governava o País. A Nação Brasileira passava por momentos traumáticos e a sua juventude brandia o lema do "faça amor, não faça guerra".

Neste clima e momento, cheguei ao mundo.

Muito aconteceu ao País e ao seu povo. Os porões do DOI CODI, a cassação dos direitos políticos e individuais, a junta militar, o famigerado Ato Institucional Nº5 ( AI 5 ) . O atentado da rua Toneleiros, no Rio de Janeiro, o desaparecimento de Rubens Paiva, as músicas de Chico Buarque de Holanda, driblando a censura.

Mas, em outubro de 1988, estudante de direito já, assisti pela televisão o novo texto constitucional brasileiro sendo promulgado por Ulisses Guimarães.

Aquele velhinho comemorando a Carta Magna denunciava a sua emoção e contagiou-me.

Confesso que, nesta época, pouco sabia daqueles fatos já mencionados, ocorridos quando imperava em meu País governos militares, ditatoriais e absurdos.

Iniciava, ali, hoje sei bem, a definitiva transição dos chamados anos de chumbo para o advento da democracia.

Voltando os olhos ao passado, percebo com infinita clareza, somente agora, meu duplo privilégio. Não senti e sequer percebi o que acontecia no País, enquanto corria a minha infância, e, ao estar concluindo minha formação acadêmica na seara jurídica via nascer a Constituição Federal, com os seus direitos individuais em lugar de destaque.

II – Adolescência. Namoradas e rapazes :

II, a – Sandra. Edson ( nomes fictícios ) :

De propósito, pulo parte de minha vida para depois a ela retornar.

Assim, registro que passada a inocência, volto-me para o estudo secundário e as novas convivências, já não apenas familiares, com um sentimento sempre estranho no ar, aquele mesmo sentimento que parecia acompanhar-me desde sempre e destinado a acompanhar-me para todo o sempre.

Mais seguro, porém não mais alegre, convivia com minhas obrigações diárias de estudante, procurando e desejando acertar sempre.

Namoradas, não as tive ao certo e hoje bem sei disso.

Quando criança um sentimento forte, grande, por Sandra ( o nome é fictício). Nunca vi, nem antes, nem depois, mais bonita. Era definitivamente linda. Pensava nela, sonhava com ela.

Mas era um pensamento e um sentimento diferente, sem maldade, sem malícia, enfim, sem sexo.

Ainda assim, era diferente das outras meninas, mexia comigo, bastante. Descia, em meu corpo, um calor engraçado, com extremada força.

Havia, no seio familiar, críticas ao comportamento de sua mãe. Veladas, mas havia. De meu pai nunca ouvi, mas dele sempre senti.

Apaixonei-me, depois, por Roberta ( nome também fictício). Com ela saía, durante o dia, quando não estava no fórum, onde já trabalhava graciosamente, quando aos quinze anos comecei e não mais parei.

Conversávamos muito, beijávamos bastante. Nunca passou disso.

Em razão dela presenciei a única discussão de meus pais. Achava ele e culpava minha mãe, que Roberta, muito mais velha que eu, poderia causar problemas...!

Já na faculdade, dividindo quarto com um amigo do Rio de Janeiro, sentia algo totalmente diferente.

Havia prazer em estar ao lado dele. Conversávamos muito. Falava de suas namoradas. Gostava de estar ao lado dele e principalmente gostava de suas brincadeiras, quando rolava comigo ao chão e invariavelmente eu sentia forte ereção, ao que ele percebia e ria.

Com Edson, acredito, tenha ocorrido o primeiro amor de minha vida. Frustrado, recalcado, reprimido, mas era amor, sim.

Amava-o intensamente. Víamos televisão de mãos dadas e isso representava, em mim, algo novo, uma experiência orgástica. Eu sabia que merecia mais, muito mais. Porém, contentava-me com aquilo. E era bom.

Estudei bastante, trabalhei na defensoria pública  durante um ano. Graduei-me e abri escritório com cinco processos de clientes diferentes em andamento.

II,b : Simone e Alexandre ( nomes totalmente fictícios):

Já formado, conheci outro rapaz...

(a história continua...) 



 Escrito por thiago às 23h19
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